Pericárdio e Pleuras – Membranas Seroras – O que é?

Além de exercer função protetora, as membranas que revestem determinados órgãos desempenham papel vital para seu funcionamento. Membranas serosas (de seroso, que contém soro) são envoltórios de proteção de certos órgãos. O soro, tecnicamente chamado transudato, resulta da filtração de líquido. Mas, além de proteção – especialmente contra bactérias -, as serosas desempenham também papel funcional. O peritônio, o pericárdio e as pleuras são importantes para o funcionamento de vários órgãos.

As três membranas serosas possuem características comuns. Em primeiro lugar, por serem constituídas de duas películas (folhetos). Em geral os folhetos se acham em íntimo contato, por força do vácuo existente entre eles. O peritônio é uma exceção. O folheto interno, em contato direto com o órgão revestido, é o folheto visceral, assim chamado por sua relação com a víscera (víscera é todo Órgão contido numa das três grandes cavidades do corpo: tórax, abdome e crânio). O folheto externo é chamado parietal, por encontrar-se, geralmente, em contato com a parede da cavidade em que o órgão está alojado.

Entre os dois folhetos existe um espaço que, em condições normais, não é perceptível. É como se se tratasse de dois balões de borracha molhados, um deles inflado dentro do outro. Poderão deslizar entre si, mas só descolarão se um deles se romper e permitir entrada de ar, gás ou líquido. Apesar dessa virtual inexistência, o espaço entre os dois folhetos das membranas recebe o nome de espaço seroso.

O PERICÁRDIO

O coração é um órgão envolvido por membrana serosa: o pericárdio. O folheto visceral do pericárdio adere ao coração, recobre-o inteiramente e continua pelos vasos da base (aorta, veias cavas, veias e artérias pulmonares). Nesse ponto o folheto visceral se dobra para formar uma prega e, na volta, formar o envoltório externo ou folheto parietal ou, ainda, saco fibroso. O folheto parietal, por fora, fica em contato com a parede do tórax e órgãos vizinhos, e, por dentro, com o folheto visceral. Esse contato, porém, é suavizado pela presença do líquido que banha ambos os folhetos. Esse líquido seroso, formado pela própria membrana, lubrifica a ação de deslizamento de um folheto sobre o outro, durante os batimentos cardíacos.

Qualquer lesão num dos folhetos poderá prejudicar esse deslizamento e interferir no funcionamento normal do coração. A cicatrização de um folheto – como acontece na pericardite – determina a formação de uma carapaça fibrosa, de graves conseqüências, que dificulta os batimentos cardíacos.

AS PLEURAS

A serosa pleural ou simplesmente pleura é o folheto duplo que reveste cada um dos pulmões. Como o pericárdio, as pleuras também são folhetos duplos. O folheto visceral da pleura não apenas reveste a superfície externa do pulmão como também se insinua nas incisuras do órgão.

O folheto parietal adere externamente à parede do tórax e à face superior do diafragma. Internamente, faz contato com o folheto visceral, de que é separado por quantidade de líquido inferior à que existe entre os folhetos do pericárdio.

A função da pleura não é só a de proteger o pulmão contra o atrito, durante os movimentos respiratórios. Como entre os dois folhetos existe um vácuo ou pressão negativa, toda vez que o diafragma e as paredes do tórax se afastam, durante a inspiração, o folheto parietal aderido a eles também se distende. E, por causa do vácuo, puxa consigo o folheto visceral.

Este, por sua vez, aderido ao pulmão, obriga-o a inflar-se e, assim, aspirar para dentro o ar que penetra pelas vias aéreas para oxigenar o sangue.
Se ocorrer acúmulo anormal de líquido entre os folhetos pleurais – como acontece no derrame pleural (pleurisia) -, os movimentos respiratórios serão evidentemente afetados e há que se drenar o excesso de líquido.

Por outro lado, se ocorrer ruptura do folheto parietal, o ar penetrará entre os folhetos (pneumotórax) e o vácuo desaparecerá. Sem a pressão negativa para mantê-lo inflado, o pulmão permanecerá murcho, mesmo quando o diafragma e as paredes do tórax se distenderem.

O PERITÔNIO

A serosa peritoneal é a mais complexa das três membranas desse tipo. Reveste e sustenta numerosos órgãos abdominais. O peritônio tem seus dois folhetos distanciados na maior parte. Envolve alguns órgãos abdominais completamente, outros apenas em parte. As dobras e pregas o revestem, envolvem e se apóiam em órgãos e paredes do abdome e da pelve.

Os mesmos conduzem nervos, vasos sanguíneos e linfáticos. Além dos mesos o peritônio apresenta os chamados omentos ou epíploons. Cada epíploon é um véu espesso que apresenta em seu interior uma camada gordurosa de proteção, além de vasos venosos, arteriais e linfáticos. Pregas reforçadas por feixes fibrosos recebem o nome de ligamentos. Finalmente, quando forma dobras que se insinuam no espaço compreendido por dois ou mais órgãos — como uma luva sem dedos —, o peritônio recebe o nome de fundo de saco.




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