Glândulas Salivares e a Produção Salivar – Anatomia Humana

A saliva exerce importantes funções fisiológicas: umedecer os alimentos para que possam penetrar o tubo digestivo; lubrificar as partículas a serem deglutidas (e para isso é dotada de certa viscosidade, variável conforme o alimento a ser engolido); remover continuamente detritos alimentares e resíduos inspirados; combater germes invasores com a -ação antibiótica de um de seus componentes, a lisozima; e ainda digerir parcialmente os alimentos, mediante cisão de moléculas de hidratos de carbono, num papel de suco digestivo.

Por todas essas razões, os animais terrestres em geral – inclusive aves e répteis— são dotados de glândulas salivares. Os peixes e outros animais aquáticos não salivam, por motivos óbvios: não precisam umedecer seus alimentos e nem poderiam impedir a dispersão da saliva na água.

As Glândulas Salivares

O maior número das glândulas salivares e formado por unidades microscópicas de secreção. Disseminam-se pelas mucosas das bochechas, pela língua e pelo céu da boca (palato duro). Algumas dessas diminutas glândulas aglomeram-se em cachos que podem ser percebidos quando se passa a ponta da língua pela mucosa do lábio inferior. São como grânulos situados logo abaixo da superfície, no tecido conjuntivo que forma a mucosa do lábio inferior, a chamada lâmina própria.

Esses cachos de glândulas microscópicas comunicam-se com a superfície da mucosa labial através de pequenos ductos imperceptíveis. As glândulas salivares menores secretam saliva do tipo mucoso, que não contém enzimas e, portanto, não participa das reações químicas sofridas pelos alimentos na boca. A saliva das glândulas labiais exerce apenas função lubrificante.

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A produção de saliva, em sua maior parte, resulta do trabalho de três pares de glândulas maiores. Ao contrário das menores, essas seis glândulas principais não se localizam dentro da mucosa da boca; dispõem-se em planos mais distantes, ao lado da cavidade bucal, numa linha em ferradura que segue a curva da mandíbula, de orelha a orelha.

Outra particularidade: a saliva das glândulas maiores apresenta composição diferente, com participação de enzimas digestivas que atuam sobre os alimentos.

As mais volumosas dessas seis glândulas são as parótidas (para, ao lado de; otos, ouvido), cada uma delas situada abaixo do ouvido, na região lateral da face e do pescoço. A forma é a de um disco granuloso, coberto pela pele.

Apesar de sua função simples, as parótidas aparecem com destaque nos capítulos de patologia e de cirurgia. A importância patológica resulta de uma infecção que comumente acomete as parótidas: a caxumba. Na cirurgia, as parótidas merecem atenção por serem atravessadas pelo nervo facial, que conduz estímulos motores a todos os músculos mímicos da face. Se, numa operação. tal nervo viesse a ser lesado, ocorreria uma paralisia periférica na metade correspondente do rosto.

As parótidas são formadas pela conjunção de numerosos ácinos, como cachos de uva acondicionados numa caixa. De cada ácino parte um dueto, que vai se reunir aos demais para formar um canal maior, o dueto de Sienon. É pelo dueto de Stenon que a saliva chega à boca, através de uma abertura situada na bochecha, na altura do segundo molar superior. O calibre da abertura do ducto de Stenon permite observá-lo a olho nu.

O segundo par de glândulas salivares é formado pelas submandibulares, alojadas em duas pequenas reentrâncias que se situam entre a ponta do queixo e o ângulo da mandíbula. Como as parótidas, as submandibulares são protegidas por uma cápsula fibrosa. Os ductos principais, chamados duetos de Wharton, desembocam no assoalho da boca, um ao lado do outro, nas proximidades do freio da língua.

Finalmente, as glândulas sublinguais, situadas diretamente sob a língua, completam a conjunto de unidades salivares. Os meatos das sublinguais, chamados dados de Rivino, desembocam ao lado dos ductos de Wharton.

A PRODUÇÃO DE SALIVA

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A SALIVA é resultante da mistura da secreção de todas as glândulas salivares. É muito fluida, por seu elevado teor de água. Mas também ligeiramente viscosa, por ação do muco proveniente de algumas das glândulas.

As glândulas menores secretam apenas muco, claro e viscoso. As parótidas secretam saliva aquosa, tecnicamente denominada serosa (semelhante ao soro). As submandibulares são de função mista. A maior parte dos ácinos produz saliva serosa, mas alguns se-creiam muco também.

Os três pares de glândulas maiores produzem enzimas que entram na composição da saliva secretada por elas. As demais produzem apenas muco, sem enzimas, e portanto sua secreção não atua quimicamente sobre os alimentos.

A formação da saliva exige um trabalho ativo das células que participam da estrutura das glândulas salivares. Ao contrário do que acontece com outros tecidos, o volume de água exigido pela produção de saliva é tão grande que o abastecimento não pode depender apenas da captação por osmose.

Normalmente, as necessidades de água de uma célula são supridas pelo teor de água do sangue. Ou, mais rigorosamente, pelo teor de água do plasma. O líquido aquoso que se deposita nos espaços intercelutares passa em parte para o interior da célula, por osmose, como se cada célula fosse um microscópico mata-borrão. Esse fenômeno osmótico, portanto, não envolve nenhum dispêndio de energia da célula, que permanece passiva.

Mas as células das glândulas salivares precisam trabalhar para obter água. A saliva é muito mais aquosa que o plasma. Num litro de saliva existe aproximadamente o dobro da água contida num litro de plasma. Por essa razão, o volume de água absorvido por osmose é insuficiente.

O trabalho de extração de água, e outras atividades ligadas à produção de saliva, exigem também o consumo de grandes quantidades de oxigênio e outros elementos necessários às intensas trocas metabólicas que se processam no interior das células que formam as glândulas.

Calcula-se que uma glândula salivar em atividade consome cinco vezes mais energia que na condição de repouso. Essa energia provém principalmente de uma provisão de moléculas de adenosina trifosfato (ATP).

Nenhum hormônio parece ter efeito sobre a secreção salivar, que é controlada apenas por reflexos nervosos. Todas as glândulas salivares são inervadas pelo sistema nervoso autônomo (ou vegetativo), constituído por nervos simpáticos e parassimpáticos. As glândulas são inervadas principalmente por fibras parassimpáticas, que partem de núcleos especiais do encéfalo, os chamados núcleos salivatórios.

As sensações gustativas da língua são encaminhadas a esses núcleos encarregados de produzir estímulos imediatos que, reflexa-mente, põem as glândulas em funcionamento.




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