Sistema Linfático do Corpo Humano – Função e Anatomia

O sistema linfático é uma rede de órgãos que produzem e transportam o líquido linfático (linfa). Os vasos sanguíneos formam um sistema inteiramente fechado, e o sangue nele contido não toma contato com os tecidos. Entre estes e o sangue circulante, existe um intermediário, que é a linfa. A linfa se forma à custa de duas ordens de substâncias: a) elementos que transudam através das paredes dos vasos; e b) elementos rejeitados pelas células.

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À parte da linfa derivada do sangue, se dá o nome de hemolinfa; a que provém dos tecidos é a histolinfa. Aliás, esta distinção só tem valor teórico, pois praticamente é impossível separar as duas partes, que convergem para os espaços linfáticos. A linfa se insinua nos intervalos entre as células, com as quais toma o mais intimo contacto, fornecendo-lhes substâncias que recebe do sangue, e, por outro lado, recolhendo delas os produtos da atividade celular. Os tecidos podem, portanto, ser comparados a esponjas embebidas em linfa, a qual representa para eles o meio interior.

Propriedades da linfa

A linfa do canal torácico é, durante o jejum, transparente e levemente amarelada. Seu sabor é salgado; sua reação, alcalina. Coagula-se como o sangue: o fibrinogênio torna-se fibrina, a qual, disposta em rede, aprisiona os glóbulos. Mas a coagulação se dá lentamente, pela ausência de plaquetas, e o coalho é incolor.

linfa

Composição da linfa

Consiste a linfa, como o sangue, em um plasma líquido, tendo elementos sólidos em suspensão. São poucos os polinucleares, avultando os linfócitos, com o total de 8.000 glóbulos brancos por milímetro cúbico. A linfa que sai dos gânglios linfáticos é mais rica em linfócitos do que a que neles entra. O plasma assemelha-se ao do sangue. Contém albumina, globulina e pouco fibrinogênio, além de ureia, açúcar, sais, etc. O anidrido carbônico é abundante, mais do que no sangue arterial, menos do que no sangue venoso. Do oxigênio, apenas traços existem, juntamente com um pouco de azoto.

Quilo

Durante a digestão, os linfáticos do intestino se enchem de glóbulos de gordura, o que dá à linfa um aspecto leitoso, tomando esta, então, o nome especial de quilo. Muitos destes glóbulos de gordura são retirados pelos gânglios linfáticos, antes que cheguem ao sangue.

Circulação linfática

Formada nos interstícios dos tecidos, pela cooperação destes e do sangue, a linfa, depois de ganhar as células, deve regressar. à circulação sanguínea. Ela o faz por intermédio de vasos especiais, os vasos linfáticos, que confluem, dos inúmeros órgãos, para dois troncos, o canal torácico, do lado esquerdo, a grande veia linfática, do lado direito. Por eles a linfa se lança nas veias subclávias, e deste modo retorna ao sangue.

Vasos linfáticos

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Os vasos linfáticos se originam nos vários órgãos, e, confluindo uns com os outros, terminam nas grandes veias próximas do coração.

É matéria controvertida o modo de origem dos vasos. Acham alguns que eles estão em comunicação aberta com os espaços dos tecidos. Tende, porém, a prevalecer a opinião segundo a qual formam, desde o início, um sistema fechado, como os vasos sanguíneos. Nestas condições, a linfa, à medida que se constitui, é absorvida pelos capilares linfáticos, e põe-se em seguida a circular na direção do coração. Os canais linfáticos são cilíndricos, como as veias.

Os capilares linfáticos medem de 20 a 60 microns de diâmetro, sendo mais calibrosos que os capilares sanguíneos, cujo diâmetro , como vimos, pode descer a 5 microns. Estruturalmente, são formados por um tubo de células endoteliais. Os linfáticos maiores têm, como as artérias, três túnicas: uma interna ou endotelial, uma média, muscular, e uma externa ou adventícia, de natureza conjuntiva.

Canais coletores linfáticos

Os vasos linfáticos confluem para dois canais coletores, que conduzem a linfa ao sangue: o canal torácico e a grande veia linfática.

O CANAL TORÁCICO, assim chamado porque ocupa o tórax em quase todo o seu trajeto, estende-se ao longo da coluna vertebral, desde a parte superior do abdômen até a base do pescoço. Origina-se na cisterna de Pecquet, reservatório piriforme em que desembocam linfáticos provenientes dos membros inferiores e dos órgãos abdominais, inclusive os do intes-tino (vasos quilfferos). Com o diâmetro de meio centímetro ou menos, o canal torácico sobe e vai desembocar na veia subclávia esquerda, tendo, no percurso, recebido alguns afluentes, entre os quais os linfáticos do hemitórax esquerdo.

A GRANDE VEIA LINFÁTICA, situada à direita, na região anterolateral do pescoço, recebe os linfáticos do membro superior direito, da metade direita da cabeça e do hemitórax direito. Com um trajeto de apenas 8 a 15 milímetros, a grande veia linfática desemboca na veia subclávia direita.

Gânglios linfáticos

Dá-se este nome a pequenas dilatações de consistência mole, de forma e volume variável, escaladas no trajeto do linfático. É íntima a relação dos gânglios com os canais linfáticos: o gânglio recebe um certo número de canais aferentes e, de outro lado, emite canais eferentes. Os gânglios linfáticos, cujo número oscila entre 400 e 500, se distribuem por todo o corpo, na vizinhança dos troncos vasculares. Encontramos, por exemplo, no membro inferior, em torno das artérias poplitéia e femural; no membro superior, em torno da axilar e da umeral; no abdômen, próximo das ilíacas, das mesaraicas, da aorta, da veia cava inferior, etc.

Função dos Gânglios no Sistema Linfático

No sistema linfático, os gânglios linfáticos têm como função primordial a produção de linfócitos. Estes glóbulos, chegando pelos vasos aferentes às cavidades do gânglio, penetram nos tecidos deste e aí se multiplicam. Os novos elementos, assim formados, regressam às cavidades e prosseguem na circulação pelos vasos eferentes.

Os gânglios representam um lugar de depuração; os leucócitos aí deixam partículas estranhas, glóbulos de gordura, micróbios, que haviam trazido consigo. Compara-se, mesmo, o que se passa com os leucócitos, no gânglio, em que eles abandonam as suas impurezas, ao que sucede com as hemácias no pulmão, em que estas se libertam do anidrido carbônico.

Os gânglios, intercalados nas vias linfáticas, constituem um obstáculo para a propagação das infecções ao resto do corpo, em parte porque atuam mecanicamente, como um filtro que não deixa passar os micróbios determinantes da infecção, em parte porque os micróbios são captados pelos fagócitos. Provavelmente, servem também os gânglios linfáticos para, em circunstâncias normais, tornar inócuos os produtos tóxicos resultantes do metabolismo celular, protegendo assim o indivíduo contra uma autointoxicação.

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