Sistema Tegumentar Humano – Epiderme, Derme, Glândulas

A pele se apresenta como uma espécie de membrana que envolve todo o corpo e que, ao nível dos orifícios naturais, se continua com as mucosas. É órgão do tacto e de outros sentidos cutâneos. Exerce igualmente outras funções de grande importância, a que nos vamos referir. Façamos, porém, antes de tudo, o estudo da morfologia e estrutura da pele.

Funções da pele

sistema tegumentar - pele humana

Descreveram-se já nos parágrafos anteriores, a propósito da constituição da pele, algumas das importantes funções deste órgão. Encaradas agora em conjunto, são elas as seguintes:

a) proteção;

b) sensibilidade;

c) respiração;

d) excreção;

e) regulação térmica.

Proteção

A pele, que forma um revestimento contínuo para o corpo, protege-o, ao mesmo ‘tempo, contra os venenos e contra os micróbios. A pele intacta oferece barreira inexpugnável aos venenos sólidos ou líquidos (não voláteis). Homolle fez a experiência de permanecer quase duas horas em uma infusão de folhas de beladona, altamente tóxica, sem que se manifestasse o menor indício de penetração do veneno através da pele. Esta verificação mostra a ineficácia dos chamados banhos medicamentosos, sobre a pele sã. Constitui ainda o revestimento cutâneo ótima defesa contra os germes microbianos, que só conseguem atravessá-lo pelas suas soluções de continuidade -(ferimentos, erosões, etc.).

Respiração

Em certos animais inferiores, como os batráquios, é importantíssima a respiração cutânea. No homem, o fenômeno é de intensidade mínima, havendo, por dia, em média, a eliminação de 8 gramas de anidrido carbônico por intermédio da pele

Excreção do Sistema Tegumentar

Pelas suas glândulas sudoríparas, a pele é um órgão de excreção, comparável aos rins. Calculam os fisiologistas que, nesse particular, a pele íntegra equivale a meio rim. As minudências desta função serão examinadas a propósito da sudação.

Regulação térmica

Graças, de um lado, à sua sensibilidade e, de outro, às suas glândulas sudoríparas e vasos sanguíneos, a pele é importantíssimo órgão de regulação térmica.

ESTRUTURA DA PELE

epiderme

A superfície da pele, no homem adulto, tem sido, por vários processos, calculada em cerca de 16 mil centímetros quadrados. A sua espessura varia conforme o indivíduo, e, no mesmo indivíduo, segundo as regiões. Muito delgada, por exemplo, nas pálpebras (1/2 milímetro), torna-se espessa na palma das mãos, planta dos pés, nuca (3 a 4 milímetros).

A cor varia segundo as idades, segundo as regiões do corpo e segundo as raças. Rósea na criança, ela escurece na velhice. As partes descobertas são mais escuras que as protegidas pelo vestuário. Contudo, as diferenças raciais são as mais acentuadas, e sobre elas voltaremos a falar oportunamente.

Superfície da pele

A superfície da pele não é nem lisa, nem unida: apresenta saliências, sulcos e orifícios. As saliências podem ser divididas em dois grupos: saliências permanentes, formadas pelas papilas dérmicas, visíveis especialmente na palma das mãos e na planta dos pés, e saliências temporárias, determinadas pela projeção, para fora, dos folículos pilosos, sob a influência do chamado “arrepio”.

Nos sulcos podemos destacar: os sulcos articulares, nas vizinhanças das articulações; os sulcos musculares, linhas de inserção dos músculos na pele, como, por exemplo, as rugas da testa; os sulcos interpapilares, que separam umas das outras as papilas da palma das mãos, da planta dos pés; os sulcos senis, ou rugas da velhice.

Os orifícios, ou poros que crivam a superfície da pele, pertencem aos folículos pilosos e às glândulas sudoríparas e sebáceas.

Derme

A derme, parte fundamental do sistema tegumentar, é sensível e elástica, compondo-se de duas zonas que se colocam uma sobre a outra, sem limite nítido: a) a pars reticularis, mais profunda, com fibras elásticas e conjuntivas dispostas em um retículo frouxo, na maioria paralelas à superfície da pele, e contendo, nas malhas, células conjuntivas estreladas, ou fusiformes; b) a pars papillaris, mais superficial, com a mesma estrutura que a precedente, mas apresentando fibras em retículo cerrado.

Na superfície de contacto da pars papillaris com a epiderme, há numerosas e pequenas saliências, as papilas dérmicas, umas simples, com um ápice, outras compostas, com dois ou mais ápices. Nestas papilas, ora se alojam capilares sanguíneos, ora terminações nervosas, pelo que umas se dizem vasculares, outras, papilas nervosas.

As papilas nervosas só existem na face palmar das mãos e na planta dos pés; as vasculares estão espalhadas por toda a superfície cutânea. Jaz por debaixo da ‘derme o tecido celular subcutâneo, subcutis, formado de elementos conjuntivos, entre os quais se notam grupos de células gordurosas, ,que em certas regiões do corpo se desenvolvem e formam o panículo adiposo.

Epiderme

A epiderme é constituída de tecido epitelial, cujas células se dispõem em várias camadas regulares. Estas camadas, bastante numerosas, se dividem em cinco estratos: a) o estrato cilíndrico, de uma camada única de células cilíndricas, implantadas na derme; b) o estrato germinativo, ou de Malpighi, de várias camadas de células poligonais, unidas entre si por saliências espinhosas; c) o estrato granuloso, com duas ou três camadas de células achatadas, de núcleo mais ou menos atrofiado, e com o citoplasma contendo granulações especiais, de eleidina; d) o estrato córneo, o mais superficial, de células pavimentosas, apresentando o citoplasma inteiramente transformado em substância córnea (queratina).

As células superficiais da pele vão caindo, à medida que envelhecem e morrem. Há, pois, uma contínua descamação dos elementos córneos da epiderme, substituídos por novos elementos, oriundos da multiplicação das células subjacentes.

Anexos da pele

unhas e pelos

Além dos vasos sanguíneos e linfáticos distribuídos na derme (a epiderme não tem vasos), encontram-se na pele os seguintes anexos: terminações nervosas, unhas, pelos, glândulas sudoríparas, glândulas sebáceas e glândulas mamárias. Deixaremos as terminações nervosas para quando estudarmos os sentidos cutâneos. Por agora, veremos os outros anexos.

Unhas

As unhas, produções epidérmicas, apresentam-se como lâminas quadriláteras, esbranquiçadas e semitransparentes, na face dorsal das últimas falanges dos dedos das mãos e dos pés. Notam-se na unha: a) a raiz, escondida em uma dobra da derme; b) o corpo, cuja face superficial é convexa; c) a extremidade livre, branca, acinzentada, e em constante crescimento. A unha apresenta estrutura semelhante à da epiderme.

Pelos

Os pelos são produções epidérmicas filiformes e flexíveis, desenvolvidas na superfície da pele. Cada pelo está implantado numa cavidade da derme, o folículo piloso.

O pelo consta de uma parte livre, que é a haste, e de uma parte dentro do folículo, chamada raiz. A raiz exibe uma dilatação denominada bulbo.

Glândulas sudoríparas

As glândulas sudoríparas, encarregadas de segregar o suor e trazê-lo à superfície da pele, se apresentam como tubos longos e delgados, cuja extremidade profunda se enrola em novelo, para formar na subcútis ou na derme a glândula propriamente dita, e cuja extremidade superficial se abre no exterior, por um orifício, ou poro.

A secreção das glândulas sudoríparas consiste num líquido especial, o suor, de sabor salgado, de reação levemente ácida, e em cuja composição entra, além de água, cloreto de sódio (que prepondera), sulfatos e fosfatos alcalinos, ureia, etc. Costuma-se dizer, com acerto, que o suor é uma urina diluída. Sob a ação de banhos de vapor, ou de exercícios físicos, a quantidade de ureia eliminada sofre aumento notável.

A quantidade de suor varia muito, sendo influenciada por circunstâncias externas (temperatura, umidade do ar) e por circunstâncias internas (exercício muscular, emoções). A média, nas 24 horas, é de 700 gramas.

Glândulas sebáceas

glandula-sebacea-tegumentar

As glândulas sebáceas são glândulas em cacho, situadas na derme. Muito menos numerosas que as sudoríparas, encontra-se em todo o tegumento externo, com exceção da face palmar das mãos e face plantar dos pés. Quase todas se abrem nos folículos pilosos. O produto das glândulas sebáceas é o sebo, substância mole, de reação ácida, não contendo gorduras autênticas, mas mistura de ésteres de diversos ácidos gordurosos com alcoóis monovalentes, entre os quais os elementos da lanolina.

O sebo se deixa facilmente infiltrar pela água, de que pode absorver grande quantidade, o que permite a perspiração insensível da pele, acima referida. Mas o caráter gorduroso do sebo é suficiente para impedir a impregnação aquosa da pele, sendo necessária uma longa imersão na água para que a pele inche, e isso mesmo superficialmente. Demais, o sebo lubrifica a pele, dificultando a sua ressecação e fendilhamento.

Glândulas mamárias

As glândulas mamárias, consideradas por certos autores como modificações das glândulas sudoríparas, e, por outros, como glândulas sebáceas alteradas na espécie humana, a situação peitoral. Existem nos dois sexos, mas só na mulher se desenvolvem e funcionam.




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